
A indústria de desenvolvimento de software evoluiu para se tornar uma das mais importantes instituições de nosso tempo criando produtos essenciais para o nosso dia a dia. Inúmeros exemplos podem ser citados. Neste ambiente intensamente competitivo, diferenciais devem ser criados para a sobrevivência. A capacidade de criar e de entregar mais rapidamente produtos de software que melhor satisfaçam as necessidades reais do cliente é um deles.
Segundo PMI Brasil 2006, os problemas mais freqüentes em gerenciamento de projetos levantados são:
- Não cumprimento de prazos (72%)
- Problemas de comunicação (71%)
- Mudança de escopo (69%)
- Estimativa errada de prazo (66%)
Analisando os problemas levantados, pode-se constatar que o cerne da questão reside principalmente na comunicação – refletindo nos demais. Quando presentes, mecanismos de comunicação ineficientes são utilizados contribuindo para a falta de compreensão e colaboração por parte dos envolvidos.
A Figura 1 promove uma comparação entre a efetividade de comunicação e a “riqueza” do canal de comunicação. Dois mecanismos são evidenciados: os que não possuem perguntas e respostas e os que possuem. Este primeiro tipo propõe pouca interação e não permite a colaboração e troca necessária para o alcance do objetivo proposto. A utilização de papel para descrever e comunicar o problema tem importante cunho “documentacional”, além de poder ser compartilhado entre diversas pessoas.
Por outro lado, mecanismos que promovem e facilitam a comunicação, os mecanismos interativos, são compostos por perguntas e respostas - como duas pessoas falando ao telefone ou discutindo via email, são notoriamente mais eficientes. E ainda torna-se mais eficiente se tivermos a presença física na mesma sala dos diversos envolvidos. Para completar, um quadro branco auxiliando na dinâmica das discussões, pode expandir em muito as possibilidades de entender e se fazer entendido.

Comunicação “face-to-face” é uma das formas de se resolver grande parte dos problemas citados e, metodologias ágeis, como o SCRUM, pregam incessantemente esta prática. O Manifesto Ágil, criado em 2001, instituiu valores e princípios da escola que corroboram com o descrito acima. Abaixo os quatro valores principais:
“Nós estamos descobrindo melhores formas de se desenvolver software, fazendo software e ajudando os outros a fazê-lo. Através deste trabalho nós viemos valorizar:
- Indivíduos e Interações primeiro que Processos e Ferramentas.
- Software funcionando primeiro que Documentação Compreensiva.
- Colaboração do Cliente primeiro que Negociação Contratual.
- Resposta a Mudanças primeiro que Conformidade com Planejamento.
Isto é, embora reconheçamos que há valor nos itens à direita, nós valorizamos primeiramente os itens à esquerda.”
É importante destacar que não há ruptura entre os itens da esquerda e os da direita e sim de ênfase. A comunicação irá auxiliar em cada um dos itens da esquerda e será o grande facilitador desse processo.
O interessante deste tipo de abordagem é que não se tem a procura por um culpado. Todos estão imbuídos na busca da melhor solução para a organização, seja o analista, desenvolvedor, gerente de projeto ou o cliente. E cada um tem o seu papel claramente determinado frente ao processo de desenvolvimento. Em metodologias ágeis, uma das premissas básicas é ter o cliente sempre por perto e fazê-lo um participante ativo. É importante que ele entenda suas responsabilidades e sua grande parcela de contribuição para o sucesso do projeto.
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